24 de dez. de 2025

Serra afiada perfura a pele
Fazendo jorrar o que resta da vida
Como jorram as lágrimas em meus olhos -
Incontroláveis fluídos corporais.

Os cacos já remendados dificultam
a reintegração das peças quebradas.
O presente é uma névoa nostálgica 
Dos sorrisos e olhares fulminantes,
dos incêndios que já não queimam mais.

Fico aqui com a ausência e a dor,
Prese num novelo de cordas de aço,
Caindo numa espiral reversa
Revivendo já conhecidos padrões.





28 de jun. de 2025

 A espera é como estar à mercê

da minha própria imaginação —

onde o sonho se realiza,

mas ainda parece um sonho.

Aos poucos, os detalhes se turvam,
ficam borrados na memória,
restam só lembranças —
teu toque, a calma,
nosso encontro tecido em sussurros,
lábios que se tocavam
no silêncio aconchegante.

a espera me dilacera aos poucos —

vou preenchendo o silêncio

com perguntas, medos e esperanças.


revivo explosões de sentimentos

que tentei muito adormecer...

eu não sei o que fazer

com tudo isso.


9 de abr. de 2025

Vejo o invisível

Te amei como se amam

As coisas que não se tocam:

Com olhares que não se cruzam

Por medo de seu encontro;

Com dedos trêmulos, carregados

De desejos que tentei sufocar;

Com silêncios que gritam tudo

Que eu ousei calar.


Te esperei sem relógio,

Sem cobranças, sem promessas,

Sem garantias...

Na esperança ilusória de que

Um dia viveríamos o impossível.

Te esperei mesmo sabendo 

Que seus muros são impenetráveis,

E que teria que me contentar

Em apenas admirá-lo, daqui de longe...

21 de jan. de 2025

Eu te vejo

Me movo no automático,

Repetindo padrões, revivendo reações.

Sinto o mesmo nó na garganta,

O mesmo aperto no estômago...

Prese em teias padronizadas,

Carregadas de dores de um passado presente.


Vozes sussurram em meus ouvidos

Frases que cortam aonde tocam

Me fazem crer que eu não deveria existir

Que se eu sumisse, o mundo seria um lugar melhor.